8 de ago de 2011

Embora não o saibas, que morri

Soneto já antigo

Olha, Daisy: quando eu morrer tu hás de
dizer aos meus amigos aí de Londres;
embora não o sintas, que tu escondes
a grande dor da minha morte. Irás de

Londres p'ra Iorque, onde nasceste (dizes...
que eu nada que tu digas acredito),
contar àquele pobre rapazito
que me deu tantas horas tão felizes,

embora não o saibas, que morri...
mesmo ele, a quem eu tanto julguei amar,
nada se importará... Depois vai dar

a notícia a essa estranha Cecily
que acreditava que eu seria grande...
Raios partam a vida e quem lá ande!



(Álvaro de Campos, Fernando Pessoa)

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