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28 de jun. de 2014

O neotrobadorismo e os homosexuais

Nalgunhas páxinas da miña tese de doutoramento -sobre a que espero traballar moito este verán- reflexiono sobre como algúns poetas homosexuais utilizaron os esquemas neotrobadorescos para poderen expresar en versos lucíbeis publicamente os seus amores. Isto vese á perfección en dous autores galegos, Fermín Bouza Brey e Eduardo Blanco Amor, mais tamén podemos encontrar exemplos noutros poetas do sistema lingüístico galego-portugués.

Así, un caso tamén moi clariño é o lisboeta Ary dos Santos, un home entusiasmado polos trobadores medievais (ouvide, se non, esta marabilla) e autor da letra da impresionante canción "Meu amigo está longe", a que lle pon voz a súa amiga Amália Rodrigues.

A versión orixinal, antes de lle dar música Alain Oulman, intitulábase xustamente "Cantiga de amigo". Velaí:
Nem um poema  nem um verso  nem um canto
tudo raso de ausência  tudo liso de espanto
e nem Camões  Virgílio  Shelley  Dante
o meu amigo está longe
e a distância é bastante.

Nem um som  nem um grito  nem um ai
tudo calado  todos sem mãe nem pai
Ah não  Camões  Virgílio  Shelley  Dante!
o meu amigo está longe
e a tristeza é bastante.

Nada  a não ser este silêncio tenso
que faz do amor sozinho o amor imenso.
Calai  Camões  Virgílio  Shelley  Dante:
o meu amigo está longe
e a saudade é bastante!

Non deixa de ser curioso que cando a xente se debruza sobre este texto pode entender ben un sutilísimo xogo equívoco en que se critican as guerras colonais da altura: o amigo está lonxe por ter que acudir a combater fóra de Portugal, polo que a expresión entre liñas consegue burlar dalgún xeito a censura. É porén máis frecuente que se esqueza o outro grande equívoco, co cal o escritor supera unha outra forma de censura. Ese xogo duplo é o que se activa por exemplo cando, xa na canción, quen fala se metaforiza como unha figura feminina (que, por tanto, non é: nin amiga nin noiva nin mai...). Aínda que nin tan sequera debería facer falta acudir a explicacións tan miúdas.
 
Si, xa sei que un poeta é un finxidor, que o eu lírico isto e aquilo, mais... cando falamos de homosexuais non estamos a falar de asexuais!




Existe tamén esta versión de Luís Cília. É moi diferente á forza pasional da Amália, mais o feito de partir dos versos primeiros de Ary dos Santos e de que sexa en voz masculina fana particularmente interesante:


24 de nov. de 2013

Não me venham dizer que é fonética a poesia!



Serei tudo o que disserem
por inveja ou negação:
cabeçudo dromedário
fogueira de exibição
teorema corolário
poema de mão em mão
lãzudo publicitário
malabarista cabrão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não!

Os que entendem como eu
as linhas com que me escrevo
reconhecem o que é meu
em tudo quanto lhes devo:
ternura como já disse
sempre que faço um poema;
saudade que se partisse
me alagaria de pena;
e também uma alegria
uma coragem serena
em renegar a poesia
quando ela nos envenena.

Os que entendem como eu
a força que tem um verso
reconhecem o que é seu
quando lhes mostro o reverso:

Da fome já não se fala
- é tão vulgar que nos cansa -
mas que dizer de uma bala
num esqueleto de criança?

Do frio não reza a história
- a morte é branda e letal -
mas que dizer da memória
de uma bomba de napalm?

E o resto que pode ser
o poema dia a dia?
- Um bisturi a crescer
nas coxas de uma judia;
um filho que vai nascer
parido por asfixia?!
- Ah não me venham dizer
que é fonética a poesia!

Serei tudo o que disserem
por temor ou negação:
Demagogo mau profeta
falso médico ladrão
prostituta proxeneta
espoleta televisão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não!

28 de ago. de 2012

O medo

Na breve estadía en Lisboa de hai unhas semanas o meu mozo e eu aproveitamos para ir ver o musical Uma moite em casa de Amália, de Filipe La Féria. Entre as principais descubertas que me trouxo o espectáculo están a sedutora figura do poeta Ary dos Santos e este poderoso fado, "O Medo", con música de Alain Oulman e letra de Reinaldo Ferreira: